STJ vai decidir se pensão por morte e auxílio-reclusão podem ser pagos desde o início para menores de 16 anos

Uma decisão que pode impactar milhares de famílias está em análise no Superior Tribunal de Justiça.
O tribunal vai definir se crianças e adolescentes menores de 16 anos têm direito a receber valores atrasados de pensão por morte e auxílio-reclusão desde a data do óbito ou da prisão, mesmo quando o pedido foi feito depois do prazo legal.

Qual é a dúvida que o STJ vai resolver?

Hoje, a principal discussão é sobre o momento em que o benefício começa a ser pago.
O STJ vai decidir se, nesses casos, o pagamento deve começar:
  • Na data do óbito (pensão por morte)
  • Na data da prisão (auxílio-reclusão)
  • Apenas na data em que o benefício foi solicitado
Essa definição será feita em um julgamento repetitivo, ou seja, a decisão vai servir de base para processos em todo o país.

O que mudou na lei e gerou essa discussão?

 
Antes de 2019, o entendimento era mais favorável aos menores.
Na prática, funcionava assim:
  • Crianças e adolescentes não eram prejudicados pela demora no pedido
  • O benefício podia ser pago desde o início (óbito ou prisão)
Isso porque a lei protege pessoas incapazes, como menores de idade.
Mas com a mudança trazida pela Lei 13.846/2019, passou a existir um prazo de até 180 dias para solicitar o benefício.
E aí surgiu a dúvida:
 
 
  • Esse prazo também vale para menores de 16 anos?
  • Ou eles continuam tendo proteção especial?

Por que esse julgamento é tão importante?

Essa decisão pode mudar completamente o valor que muitas famílias têm direito a receber.
Se o STJ decidir pela retroatividade:
  • O menor pode receber todos os valores desde o início do direito
  • Mesmo que o pedido tenha sido feito depois
Se decidir contra:
  • O pagamento começa só a partir do pedido
  • E os valores anteriores podem ser perdidos

Qual é o entendimento até agora?

Historicamente, a Justiça vinha entendendo que:
  • Menores de idade são incapazes
  • E não podem ser prejudicados por atraso no pedido
Por isso, muitos casos garantiam o pagamento retroativo desde o fato gerador (óbito ou prisão).
Mas a nova lei trouxe dúvidas, e agora o STJ vai dar a palavra final.

O que ainda vai acontecer?

O tema foi registrado como Tema 1.421, e o julgamento ainda não terminou.
Depois da decisão:
  • Todos os tribunais do país deverão seguir esse entendimento
  • Novos processos e revisões podem surgir com base nisso

O que isso significa na prática?

Esse julgamento pode abrir espaço para:
  • Revisão de benefícios já concedidos
  • Recebimento de valores atrasados
  • Novas estratégias em ações previdenciárias
Para quem tem filhos menores e perdeu um familiar ou teve alguém preso, o impacto pode ser direto.

Texto: Patrícia Steffanello | Assessoria
Imagem: Freepik
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