Mulher garante benefício do INSS após afastamento por violência doméstica: entenda seus direitos

Uma decisão recente reforçou um ponto essencial: mulheres vítimas de violência doméstica que precisam se afastar do trabalho não podem ficar sem renda.
O caso analisado pela Justiça garantiu o pagamento de benefício previdenciário a uma trabalhadora que precisou sair do emprego para proteger sua integridade física e emocional.

Por que essa decisão é tão importante?

Quando uma mulher sofre violência doméstica, muitas vezes precisa:
  • Se afastar do trabalho por segurança
  • Mudar de rotina
  • Priorizar a própria proteção
O problema é que, sem renda, essa situação pode se tornar ainda mais difícil.
Foi exatamente isso que a Justiça considerou ao reconhecer que o afastamento, nesses casos, não é uma escolha — é uma necessidade.

O que a Justiça decidiu?

A decisão reconheceu que o afastamento por violência doméstica pode ser tratado de forma semelhante a uma incapacidade para o trabalho.
Na prática, isso significa:
  • A mulher pode ter direito a um benefício do INSS durante o período afastada
  • O objetivo é garantir condições mínimas de sobrevivência e segurança
Esse entendimento já vem sendo consolidado pelos tribunais superiores.
O próprio Superior Tribunal de Justiça já decidiu que, nesses casos, o INSS deve garantir renda à vítima para evitar que ela fique desamparada

Quem paga durante o afastamento?

A regra funciona de forma parecida com outros afastamentos:
  • Empresa paga os primeiros 15 dias
  • Depois disso, o INSS assume o pagamento
Essa lógica foi adotada porque a violência doméstica afeta diretamente a saúde física e psicológica da mulher, sendo comparável a uma incapacidade temporária

E se a mulher não tiver carteira assinada?

A proteção também existe.
Dependendo do caso:
  • O INSS pode pagar o benefício integralmente
  • Ou a mulher pode ter acesso a um benefício assistencial, caso não contribua com a Previdência
O objetivo é claro: nenhuma vítima deve ficar sem proteção financeira nesse momento

O que diz a Lei Maria da Penha?

A Lei Maria da Penha já previa que a mulher pode ser afastada do trabalho por até 6 meses, com manutenção do vínculo empregatício.
O que a Justiça fez agora foi dar efetividade a essa proteção, garantindo também o suporte financeiro.
Sem isso, o afastamento perderia o sentido.

O que essa decisão muda na prática?

Esse entendimento abre espaço para:
  • Solicitação de benefício previdenciário durante o afastamento
  • Garantia de renda mesmo em situações de risco
  • Maior proteção jurídica e social para vítimas
Além disso, reforça um ponto essencial: a proteção à mulher não é só física, é também econômica.
Texto: Patrícia Steffanello | Assessoria
Imagem: Freepik

STJ vai decidir se pensão por morte e auxílio-reclusão podem ser pagos desde o início para menores de 16 anos

Uma decisão que pode impactar milhares de famílias está em análise no Superior Tribunal de Justiça.
O tribunal vai definir se crianças e adolescentes menores de 16 anos têm direito a receber valores atrasados de pensão por morte e auxílio-reclusão desde a data do óbito ou da prisão, mesmo quando o pedido foi feito depois do prazo legal.

Qual é a dúvida que o STJ vai resolver?

Hoje, a principal discussão é sobre o momento em que o benefício começa a ser pago.
O STJ vai decidir se, nesses casos, o pagamento deve começar:
  • Na data do óbito (pensão por morte)
  • Na data da prisão (auxílio-reclusão)
  • Apenas na data em que o benefício foi solicitado
Essa definição será feita em um julgamento repetitivo, ou seja, a decisão vai servir de base para processos em todo o país.

O que mudou na lei e gerou essa discussão?

 
Antes de 2019, o entendimento era mais favorável aos menores.
Na prática, funcionava assim:
  • Crianças e adolescentes não eram prejudicados pela demora no pedido
  • O benefício podia ser pago desde o início (óbito ou prisão)
Isso porque a lei protege pessoas incapazes, como menores de idade.
Mas com a mudança trazida pela Lei 13.846/2019, passou a existir um prazo de até 180 dias para solicitar o benefício.
E aí surgiu a dúvida:
 
 
  • Esse prazo também vale para menores de 16 anos?
  • Ou eles continuam tendo proteção especial?

Por que esse julgamento é tão importante?

Essa decisão pode mudar completamente o valor que muitas famílias têm direito a receber.
Se o STJ decidir pela retroatividade:
  • O menor pode receber todos os valores desde o início do direito
  • Mesmo que o pedido tenha sido feito depois
Se decidir contra:
  • O pagamento começa só a partir do pedido
  • E os valores anteriores podem ser perdidos

Qual é o entendimento até agora?

Historicamente, a Justiça vinha entendendo que:
  • Menores de idade são incapazes
  • E não podem ser prejudicados por atraso no pedido
Por isso, muitos casos garantiam o pagamento retroativo desde o fato gerador (óbito ou prisão).
Mas a nova lei trouxe dúvidas, e agora o STJ vai dar a palavra final.

O que ainda vai acontecer?

O tema foi registrado como Tema 1.421, e o julgamento ainda não terminou.
Depois da decisão:
  • Todos os tribunais do país deverão seguir esse entendimento
  • Novos processos e revisões podem surgir com base nisso

O que isso significa na prática?

Esse julgamento pode abrir espaço para:
  • Revisão de benefícios já concedidos
  • Recebimento de valores atrasados
  • Novas estratégias em ações previdenciárias
Para quem tem filhos menores e perdeu um familiar ou teve alguém preso, o impacto pode ser direto.

Texto: Patrícia Steffanello | Assessoria
Imagem: Freepik

Aposentadoria de policiais e bombeiros pode mudar: entenda o projeto que reduz o tempo de serviço

Uma proposta aprovada na Câmara dos Deputados pode mudar as regras de aposentadoria de policiais militares e bombeiros em todo o Brasil. O projeto permite que estados reduzam o tempo mínimo de serviço necessário para que esses profissionais se aposentem.
Agora, o texto segue para análise no Senado e ainda precisa ser aprovado para virar lei.

O que pode mudar na aposentadoria de policiais e bombeiros?

Hoje, para se aposentar com valor integral, o militar estadual precisa cumprir:
  • 35 anos de serviço total
  • Sendo pelo menos 30 anos em atividade militar
Com o novo projeto, os estados poderão criar leis próprias para reduzir esse tempo mínimo de atividade militar:
  • De 30 para 25 anos (regra geral)
  • E até 20 anos em alguns casos de transição
Na prática, isso pode facilitar o acesso à aposentadoria para muitos profissionais da segurança pública.

Quem pode ser beneficiado?

O projeto impacta diretamente:
  • Policiais militares
  • Bombeiros militares
  • Profissionais vinculados aos regimes próprios dos estados (RPPS)
Importante destacar: essa mudança não afeta o INSS (Regime Geral), mas sim as regras específicas dos servidores estaduais

E quem já está na carreira? (regra de transição)

Para quem entrou antes de 2020, existe uma regra de transição atualmente:
  • Exige 25 anos de atividade militar
  • um “pedágio” proporcional ao tempo que faltava
Com o projeto, os estados poderão flexibilizar ainda mais essa exigência, reduzindo o tempo mínimo para 20 anos, dependendo da legislação local

Por que essa mudança está sendo proposta?

Segundo os autores do projeto, a ideia é reconhecer:
  • alto desgaste físico e psicológico da profissão
  • A exposição constante a riscos
  • A ausência de benefícios comuns, como horas extras ou adicional noturno
Ou seja, a proposta busca equilibrar a realidade da profissão com as regras de aposentadoria.

O que ainda falta para virar lei?

Apesar de já ter sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o projeto ainda precisa:
  1. Passar pelo Senado Federal
  2. Ser aprovado sem alterações
  3. Receber a sanção presidencial
Até lá, as regras atuais continuam valendo.

O que isso significa na prática?

Se aprovado, o projeto pode abrir espaço para:
  • Aposentadoria mais rápida para policiais e bombeiros
  • Mudanças diferentes em cada estado, já que a decisão será local
  • Novas oportunidades de planejamento previdenciário
Essa proposta representa uma mudança importante na aposentadoria de militares estaduais. Mas o ponto-chave é: tudo ainda depende da aprovação final.
Para quem atua na área ou acompanha o tema, o momento é estratégico para entender as possíveis mudanças e se preparar.
 
 
 
Texto: Patrícia Steffanello | Assessoria
Imagem: Freepik
Entre em contato