Perito disse que sim, mas o juiz disse que não: e agora?

Quando o laudo médico recomenda a aposentadoria por invalidez, mas a Justiça nega o benefício

Imagine a seguinte situação: o cidadão está enfrentando uma doença ou uma condição que o impede de trabalhar. Após meses de espera, passa por uma perícia médica judicial e o perito nomeado pelo juiz reconhece a incapacidade total e permanente para o trabalho, ou seja, recomenda a aposentadoria por invalidez. A esperança renasce.
Mas aí vem a surpresa: o juiz decide não conceder o benefício.
Esse tipo de caso tem se tornado cada vez mais comum nos processos previdenciários e costuma gerar muita dúvida, frustração e insegurança entre os segurados do INSS. Afinal, como o juiz pode negar um benefício recomendado pelo próprio perito da Justiça?

O que acontece no processo judicial?
Quando um cidadão entra na Justiça para solicitar a aposentadoria por invalidez (oficialmente chamada de aposentadoria por incapacidade permanente), o juiz geralmente solicita uma perícia médica judicial. Esse exame é feito por um profissional imparcial, nomeado pelo próprio Judiciário, para avaliar a real condição de saúde do segurado.

Esse perito analisa exames, laudos, faz perguntas, verifica a capacidade funcional da pessoa e, ao final, emite um laudo técnico, ou seja, um documento que apresenta suas conclusões.

O juiz é obrigado a seguir a opinião do perito?
Não. E aqui está o ponto central: o laudo do perito é uma prova importante, mas não é determinante. Isso significa que o juiz não é obrigado a seguir a recomendação do perito judicial, mesmo que ela seja favorável ao segurado.

O magistrado pode avaliar que:

  • O laudo foi inconclusivo ou contraditório;
  • Há outros documentos no processo que apontam em direção contrária;
  • Existe possibilidade de reabilitação profissional;
  • O segurado não preenche todos os requisitos legais (como carência ou qualidade de segurado).

E agora, o que o segurado pode fazer?
Se a Justiça nega o benefício, mesmo com um laudo favorável, o segurado ainda tem alternativas:
Recorrer da decisão: é possível apresentar um recurso ao Tribunal Regional Federal da sua região. O juiz de segunda instância pode rever a sentença e até determinar nova análise.
Pedir nova perícia judicial: se o laudo inicial foi mal elaborado ou incompleto, o advogado pode pedir outra avaliação com outro perito. Apresentar novos documentos: muitas vezes, um laudo complementar, exames mais recentes ou um histórico médico detalhado fazem toda a diferença.

Diante de situações como essa, fica clara a importância de contar com um advogado especializado em Direito Previdenciário desde o início do processo. Esse profissional: Ajuda a reunir a documentação correta;
Sabe como contestar laudos inconsistentes; Pode pedir uma nova perícia ou indicar falhas na decisão do juiz;
E principalmente, acompanha cada etapa do processo para defender o direito do segurado com estratégia e técnica.
O advogado previdenciarista conhece não só as leis e jurisprudências, mas também os procedimentos práticos do INSS e da Justiça. E isso pode ser o diferencial entre uma negativa e a conquista do benefício.

Passar por uma doença já é difícil o suficiente. Ter um benefício negado, mesmo com o aval de um perito, pode ser desanimador, mas não é o fim da linha. O sistema previdenciário brasileiro é complexo, mas também oferece caminhos para contestação e revisão.

Por isso, se você se encontra nessa situação, não enfrente isso sozinho. Busque orientação profissional, conheça seus direitos e siga lutando. Em muitos casos, a Justiça pode sim ser feita, ainda que em um segundo momento.

Imagem: Pixabay
Texto: Patrícia Steffanello / Assessoria de Comunicação
Fonte: Dr. Renato Stecca – Advogado

Aprovada em 1º turno PEC que concede aposentadoria integral a agentes de saúde

Os deputados analisam agora a proposta em 2º turno de votação

A Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2021, que garante aposentadoria integral e com paridade salarial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias que sejam servidores públicos. A proposta também reduz a idade mínima para aposentadoria desses profissionais e proíbe contratações temporárias ou terceirizadas, exceto em situações de emergência em saúde pública, conforme definido por lei. O texto foi aprovado com ampla maioria: 446 votos favoráveis e apenas 20 contrários. Agora, a proposta ainda precisa passar por um segundo turno de votação na Câmara antes de seguir para o Senado.
 
A versão aprovada foi elaborada pelo deputado Antonio Brito (PSD-BA), relator da proposta na comissão especial. Segundo ele, a medida não representa ônus para estados ou municípios, pois os custos serão arcados exclusivamente pela União. A proposta também determina que agentes que tenham vínculo temporário, indireto ou precário na data da promulgação da emenda sejam efetivados como servidores estatutários, desde que tenham participado de processo seletivo público realizado a partir de 14 de fevereiro de 2006, ou em data anterior, conforme prevê a Emenda Constitucional 51. Os municípios terão até 31 de dezembro de 2028 para regularizar esses vínculos.
As novas regras constitucionais também serão aplicadas a agentes indígenas de saúde (AIS) e de saneamento (Aisan). Em relação à aposentadoria, a PEC estabelece que as mulheres poderão se aposentar aos 57 anos e os homens aos 60, desde que tenham 25 anos de contribuição e de atividade na área. Atualmente, a reforma da Previdência prevê idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 para homens, com regras mais rígidas para o tempo de contribuição.
 
A proposta recebeu forte apoio de diversos parlamentares, que destacaram a importância do trabalho dos agentes para o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). O deputado Antonio Andrade (Republicanos-TO) afirmou que a medida representa um ato de justiça e valorização dos profissionais que cuidam diretamente da população. Já o deputado Gilson Daniel (Pode-ES) ressaltou que reconhecer esses trabalhadores é reconhecer a vida, a dignidade e a saúde pública. A deputada Enfermeira Ana Paula (Pode-CE) lembrou que os agentes são fundamentais para os indicadores de saúde do país e merecem esse reconhecimento constitucional. Para o deputado José Airton Félix Cirilo (PT-CE), os agentes cumprem um papel de suma relevância e agora terão a estabilidade que tanto buscam. A deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) também defendeu a proposta, destacando que ela garante o fim da insegurança de demissões arbitrárias causadas por mudanças políticas nos municípios.
 
Apesar do apoio majoritário, a PEC também enfrentou críticas. O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) afirmou que a proposta representa um “trem da alegria” ao efetivar mais de 35 mil pessoas sem concurso público. Segundo ele, muitos desses agentes foram contratados como cabos eleitorais e agora querem se tornar servidores estáveis. A crítica gerou protestos nas galerias, onde agentes comunitários de saúde viraram de costas durante seu discurso. O deputado Glauber Braga (Psol-RJ), por outro lado, argumentou que muitos profissionais foram contratados em suas comunidades e que a efetivação é uma forma de desprecarizar o trabalho e garantir o respeito à sua atuação.
 
Outros parlamentares também se manifestaram a favor da medida como forma de corrigir injustiças históricas. A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) destacou que, mesmo com anos de trabalho prestado e conhecimento técnico, os agentes poderiam ser demitidos arbitrariamente sem essa PEC. Ela defendeu que o reconhecimento formal desses profissionais é uma questão de justiça social. Já o deputado Kim Kataguiri (União-SP) questionou a constitucionalidade da proposta, afirmando que não há previsão orçamentária para custear as mudanças. Segundo ele, o texto pode ser derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no futuro por não indicar a fonte dos recursos.
 
Para Kataguiri, a PEC representa populismo e demagogia eleitoral.
A proposta segue agora para o segundo turno de votação na Câmara. Caso seja novamente aprovada, será encaminhada ao Senado Federal para nova análise. Enquanto isso, os agentes comunitários de saúde e de combate às endemias seguem atentos, esperando que seus direitos finalmente sejam reconhecidos pela Constituição.
 
Fonte: Câmara dos Deputados
Imagem: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
 
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