Minas Gerais está envelhecendo rápido. Dados do Censo 2022 apontam que pessoas com 60 anos ou mais já representam cerca de 17,8% da população do estado. E, junto com esse envelhecimento, vem um movimento que está mudando a conversa sobre aposentadoria: cada vez mais gente passa dos 60 e continua ativa, seja por escolha, por necessidade ou pelos dois motivos ao mesmo tempo.
No Brasil, o IBGE registrou que cerca de 1 em cada 4 pessoas com 60+ anos estava ocupada em 2024. Isso ajuda a explicar o que muita gente percebe no dia a dia em cidades mineiras com comércio forte e indústria local: o idoso de 2026 não é, necessariamente, alguém “parado”. É alguém que trabalha, organiza a vida, sustenta a casa, ajuda filhos e netos, e quer uma coisa bem objetiva: segurança para decidir se continua contribuindo, se já pode pedir o benefício e qual é o melhor momento para fazer isso.
O ponto central: aposentadoria não é só “esperar a idade chegar”
Na prática, “fazer a idade” é apenas uma parte da história. O valor do benefício e o risco de ter o pedido negado (ou cair em exigências) podem depender de detalhes como vínculos no CNIS, períodos sem contribuição, contribuições em valores diferentes, atividades especiais, períodos rurais e até inconsistências simples de cadastro.
Por isso, o planejamento previdenciário virou uma etapa importante para quem está perto de se aposentar e ainda trabalha. Em vez de descobrir “na hora do pedido” que falta tempo, que um vínculo não apareceu no sistema ou que as contribuições não estão como deveriam, a pessoa antecipa o diagnóstico e decide com mais clareza.
Abono de permanência: quando continuar trabalhando pode “devolver” a contribuição
Aqui entra um tema que costuma aparecer muito entre servidores públicos: o abono de permanência. Ele é, em resumo, um valor pago ao servidor que já cumpriu os requisitos para se aposentar, mas decide continuar em atividade. O benefício costuma equivaler ao valor da contribuição previdenciária do servidor enquanto ele permanece trabalhando, até a aposentadoria compulsória, conforme regras aplicáveis ao caso.
Importante: o abono de permanência não é uma regra geral do INSS para todo mundo. Ele está ligado, em regra, ao universo do servidor e do regime próprio, então precisa de análise do vínculo e das normas específicas aplicáveis.
E a “Revisão da Vida Toda”? Como está hoje
Muita gente ouviu falar da Revisão da Vida Toda como uma possibilidade de aumentar o benefício ao incluir contribuições antigas no cálculo. Só que o cenário mudou: o STF reafirmou o entendimento que superou essa tese, vinculando a aplicação da regra de transição e afastando a possibilidade de optar livremente por uma forma de cálculo mais vantajosa nesses casos.
Ao mesmo tempo, o STF também decidiu sobre consequências práticas para quem já tinha ação ou valores recebidos, em decisões relacionadas ao tema. Na linguagem do dia a dia: hoje, esse assunto exige cuidado, porque o que antes era tratado como “revisão possível” não é mais uma promessa simples de ganho.
O planejamento é indicado para não perder direitos
Com mais gente 60+ trabalhando, a dúvida real virou outra: vale a pena continuar contribuindo ou já é hora de pedir? A resposta não é igual para todo mundo, mas o planejamento ajuda a transformar ansiedade em decisão prática. Em geral, ele busca três coisas: confirmar se os requisitos já estão completos, estimar o melhor cenário de valor e reduzir o risco de surpresa no momento do pedido.
Em cidades mineiras onde o trabalho segue forte mesmo depois dos 60, a aposentadoria deixou de ser “um evento automático” e virou uma escolha que envolve contas, tempo e tranquilidade. E, nesse cenário, planejar cedo costuma ser o caminho mais seguro para não depender da sorte quando a idade finalmente chega.